RELIGARE

Abril 2, 2008

Primavera

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Chegou a Primavera e com ela toda uma hierogamia prometedora de potencialidades fecundantes. E em vez do recurso aos modernos charlatães, por que não invocar Nossa Senhora dos Prazeres, mais conhecida por Nossa Senhora da Goma, ou, pura e simplesmente, participar na festa da Goma?

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Segundo um inquérito paroquial de 1842, publicado na Revista de Guimarães, nº 108, 1998, pp. 555-569 (consultável aqui), no seu ponto 16º, «Igreja: sua grandeza é limitada em proporção do povo existente de maneira que se juntasse tudo a uma missa ou festa certamente não cabia, porque não falando em crianças alistadas andam por oitocentas pessoas; está muito pouco reparada, os anos da sua primitiva fundação ignora-se, por tradição consta, que tivera
princípio no monte sobranceiro à freguesia e igreja de Castelões ao Nascente da mesma, confina hoje desta ao Poente, aí se apelidava Santa Iria de Sobradelo; Sobradelo por estar sobre a dita freguesia, elevada, e sobranceira a Castelões, depois foi mudada para cima junto aos lugares de Vilarinho intitulando-se Santa Mamede de Souto de Sobradelo, onde hoje existe uma capela; daí passou ao lugar da igreja Velha junto ao Morouço intitulando-se S. Tiago de Sobradelo, onde hoje existe uma capela; ultimamente se mudou para o sítio de Souto ponto quase central da freguesia intitulando-se Santa Maria de Sobradelo, e vulgarmente Sobradelo da Goma, que o verdadeiro apelido é Nossa Senhora dos Prazeres, em cujo dia há costume de lhe fazerem os párocos pelo menos uma missa cantada; até ao ponto de S. Tiago de Sobradelo há somente tradição tanto das fundações, como das eras, e daí para o assento, onde hoje existe, consta haver duzentos anos, o que obrigou a intitular-se Santa Maria de Souto de Sobradelo, e fazer aquela mudança de S. Tiago para Souto ou Assento foi haver ali no dito Souto umas servas de Deos tinham suas propriedades que cultivavam e como naquele sítio houvesse aparecido uma senhora em cima de uma pedra quase redonda que ainda hoje se conserva junto ao Adro, prometeram aquelas servas de dar à Senhora Aparecida o seu casal se conseguisse mudar para ali a igreja Matriz; ultimou-se com efeito e de S. Tiago de Sobradelo, que dantes era, principiou a intitular-se Santa Maria de Souto de Sobradelo. Aconteceu por esses tempo vir na Primavera um granizo de saraiva, que esperançava não ficar um gomo das vides com seus cachos, com aquela fé antiga correram os povos da freguesia a fazer preces e súplicas à nova padroeira, conseguiram ser ouvidos daquela Mãe e Protectora, cessa a tormenta ficando ilesos seus frutos, e cantando hinos de louvor principiaram a apelidá-la Nossa Senhora da Goma ou Sobradelo da Goma, de que ainda hoje conserva o nome entre o vulgo [...].»
No entanto, Moisés Espírito Santo, em A Religião Popular Portuguesa, diz-nos coisa bem diversa, contrariando os animais e os monstros da tradição religiosa, do poder do Diabo sobre a alma humana e o castigo resultante da tentação, como é o caso deste baixo-relevo representando um Leão, símbolo de S. Lucas e de Cristo, e que pode ser admirado mais em pormenor aqui.

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Diz-nos, pois, o investigador: «O primeiro domingo depois da Páscoa é consagrado aos encontros de jovens nos montes ou nas matas, onde se entregam a jogos eróticos, em geral inocentes [...] e onde dormem a “primeira sesta”. [...] actualmente a cerimónia primaveril coexiste com a festa católica, mas as motivações juvenis continuam a ser preponderantes. No Gerês, a festa da primeira sesta tem o nome curioso de “festa da Goma” (a seiva, na linguagem comum; o esperma, em gíria). A festa da Goma constitui uma busca frenética de uma companhia amorosa numa frondosa mata de carvalhos em torno de uma capela construída no século XVI em honra da “Goma”. O clero persiste, desde há muito, em querer rebaptizar a capela com o nome de “Nª Srª dos Prazeres” e em chamar à reunião dos jovens a “Festa das Alegrias de Nossa Senhora”, esforço que permanece vão a despeito de quinze séculos de cristianismo.» op. cit., p. 66

Os sublinhados são nossos.

Imagem: 1 – Marion C. Martinez, Madre Querida, Wall hanging – Hard drive computer disc, CD, Circuit boards, daisy wheels, ribbon cable 8″ by 10″ by ½”; 2 – Baixo relevo das ruínas da antiga abadia de Saint-Benoît de Nanteuil-en-Vallée (Charente).

Março 28, 2008

Endoenças…

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… e outras encomendações.

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«Oh que noute tão escura, oh que noute tão tormenta!
Morreu uma criatura, sem receber o Santíssimo Sacramento.
Apartou-se a alma do corpo, foi ter às faces divinas,
foi fazer contas com Deus, nas suas santas doutrinas.
- Alembra-te lá o que fezestes, nessa tua larga vida!
nunca t’alembrastes de mim, senão depois de estares perdida.
Deixei-te meus dias de jejum, sempre t’apanhei comendo;
deixei-te as minhas vias sacras, sempre te apanhei esquecendo;
acando ias p’rá missa, nunca ias cum atento;
antre o cálix e a hóstia, sempre te apanhei dormente.
Agora vais p’ró inferno, vais arder eternamente!»
in Revista Lusitana, Nova Série, 22-24, 2002-4, «A Touca da Virgem Maria», Joaquina de Jesus, 79 anos, Córgas, 5/3/89, p. 149

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«Eu ainda me lembro de uma coisa que já tenho contado a esta gente nova. Não querem crer, mas era certo.
Na Curesma, à noite, sentados ao lume, era tirar almas do Purgatório: arranjavam-se uns paninhos brancos e uns pauzinhos. Metia-se o pauzinho no meio do paninho e enrolava-se. Metiam-se na mão 3, 5, 7 ou 9 – nº pernão. Por cada coisinho daqueles a gente rezava um Pai Nosso e fazia-se umas palavras que eu já não me lembro delas: era a Glória ao Pai e depois a gente ia a tirar e o pauzinho estava do lado de cá. Não eram todos. E eu ficava muito contente.
E dizia: já tirei uma, já tirei duas! Eram as almas do Purgatório que saíam quando o pauzinho ficava de fora do paninho.»
Idem, «Tradição da Quaresma», Maria Justina, 75 anos, Escalos de Baixo, pp. 144-5

Imagens: Júlia Cota, Religião

Março 27, 2008

E ao terceiro dia, La Vache

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«…La Vache a dansé sur l’océan céleste en nous apportant les vers et les mélodies

…La Vache a pour arme le sacrifice

et du sacrifice est issue l’inteligence

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…La Vache c’est tou ce qui est,

Dieux et Hommes, Asuras, Mânes et Prophètes…

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…en Elle réside l’Ordre divin,

la Sainteté, l’Ardeur cosmique.

Oui la Vache fait vivre les Dieux,

La Vache fait vivre les hommes.

(VEVD, 262-263)

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Do sentimento de perda e da relação das igrejas cristãs com os povos indígenas e a sua cultura em Michael Riley.

Março 22, 2008

Via Sacra

Arquivar em: Arte, História, Livros Sagrados — casoual @ 2:55 pm

«Estando já próximo da descida do Monte das Oliveiras, o grupo de discípulos começou a louvar alegremente a Deus, em alta voz, por todos os milagres que tinham visto. [...]

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«Quando se aproximou, ao ver a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse:

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Se neste dia também tu tivesses conhecido o que te pode trazer a paz! Mas agora isto está oculto aos teus olhos.

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Virão dias para ti, em que os teus inimigos te hão-de cercar de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados, hão-de esmagar-te contra o solo, assim como aos teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão pedra sobre pedra, por não teres reconhecido o tempo em que foste visitada.» Lc 19,38, 41-44

Imagens: 1 – Ori Gersht, Blaze, 2003-4; 2 – Ori Gersht, Ghost, 2003-4; 3 – Cartaz do filme Nuit et Brouillard, de Alain Resnais, 1955.

Março 16, 2008

Gianni Vattimo

Arquivar em: Outros Textos — casoual @ 2:26 am
O meu problema de cristão é que a Igreja me escandaliza

Público, 09.03.2008, António Marujo

Comunista, marxista, católico, homossexual. O filósofo italiano Gianni Vattimo, que já foi eurodeputado, diz que é possível o encontro entre o niilismo de Nietzsche e o cristianismo. É contra a ideia do direito natural
e afirma que a Igreja lhe cria vários obstáculos à fé

Nascido em Turim em Janeiro de 1936, Gianteresio (Gianni) Vattimo tem trabalhado a questão do retorno ao religioso e o pensamento de Nietzsche. Em português, há vários livros seus publicados, incluindo Acreditar em Acreditar. O filósofo esteve na Universidade Católica, no Porto, esta semana, a falar sobre o regresso do religioso.
PÚBLICO – Assume-se como comunista, marxista, homossexual, defende o niilismo e a secularização. É por tudo isto que é cristão ou é tudo isto apesar de ser cristão?
GIANNI VATTIMO – Sou cristão e tudo isto, sem muitos conflitos. É evidente que não sou homossexual por ser cristão. Mas se sou comunista, sou-o apenas porque sou cristão. Sendo um bom pequeno burguês – professor universitário, rendimento de classe média tranquila – porque havia de ser comunista? Tornei-me comunista, mas já o era enquanto jovem católico militante…
Na Acção Católica?
Sim. É verdade que a questão é muito histórica italiana. Tornei-me dirigente da Juventude de Acção Católica nos anos 50. Naquela época, o problema estava muito ligado à história social da Itália: a reconstrução do pós-guerra, a Democracia Cristã liderada por Alcide de Gasperi.
A pergunta era: os cristãos devem contribuir para manter a ordem burguesa ou mudá-la? A Igreja queria manter a ordem burguesa. Mas muitos cristãos de base – jovens, operários – queriam ser socialmente mais abertos. Eram “catocomunistas”, como se diz. No fundo, fui sempre um catocomunista, às vezes, mais “cato”, outras mais comunista. Mas, fundamentalmente, nunca mudei.
A minha aventura de filósofo levou-me longe dos pensadores mais classicamente cristãos. Naquela época, lia [Jacques] Maritain, Emmanuel Mounier, os grandes pensadores do humanismo cristão moderno. Por causa do meu empenhamento religioso, aproximei-me dos pensadores críticos da modernidade. Estudei Nietzsche, depois Heiddeger, mas sempre por causa das minhas posições cristãs.
A sua família era católica?
Sim, mas muito débil. O meu pai morreu quando eu tinha ano e meio. Fui educado na rua, na paróquia. O meu destino depende de duas senhoras que tinham uma drogaria ao lado de minha casa. Um dia, disseram à minha mãe para me mandar à catequese, aos poucos tornei-me um pequeno santo.
Esteve no Partido Radical, nos Democratas de Esquerda [DS], agora está no Partido dos Comunistas Italianos…
Também já não estou nesse partido, porque fui marginalizado.
… mas o comunismo já não está na moda…
Durante muito tempo, considerei-me cristão de esquerda. Tornei-me deputado europeu com a DS. Mas sempre vi ali a afirmação de uma visão liberal-capitalista da sociedade. Dei-me conta da excessiva dependência da Europa em relação aos Estados Unidos.
Defende que a Europa deve ser mais independente dos EUA?
Sim, mas talvez seja um pouco tarde. Ao menos que sejamos uma colónia mais ou menos resistente. Estamos no Afeganistão com a NATO. O que tem a ver o Afeganistão com o Atlântico Norte? Os Estados Unidos são uma potência em declínio, mas agitam-se para manter a primazia.
Durante muito tempo, pensei que a democracia americana fosse um modelo. Estou muito desiludido com o Ocidente. Há um problema de imperialismo das multinacionais para com outros povos.
O seu itinerário religioso aproximou-o da Igreja Valdense, regressou depois ao catolicismo. Não é um retorno fora de tempo?
Nunca acreditei que devia abandonar a Igreja Católica por uma outra Igreja cristã. A ideia de converter-me do catolicismo ao luteranismo não me passa nem pela antecâmara do cérebro.
E a Igreja Valdense?
Aproximei-me só porque a Igreja Valdense aceita bem os homossexuais. Na Itália, oito por mil do imposto [sobre o rendimento] pode ser dado a uma igreja. Eu dei à Igreja Valdense, porque a Igreja Católica tratou-me sempre como uma ovelha negra. Mas não me sinto em polémica, tenho muitos amigos padres – há uma espécie de baixo clero e alto clero: quando ficam bispos, tornam-se reaccionários.
Recentemente, uma sondagem em Itália mostrou que 67 por cento dos católicos praticantes não tem nada contra as uniões de facto homossexuais. Devo dizer que esta temática, para mim, se tornou relativamente marginal, um pouco porque estou velho – poderia mesmo tornar-me frade.
Porque é que a Igreja condena, então, a homossexualidade?
Por razões disciplinares, porque tudo se refere à ideia da natureza. Logo, o vício impuro é contranatura. A Lutero pediu-se desculpa, a Galileu [também]. Os únicos a quem a Igreja nunca quis “des-excomungar” são os homossexuais.
Uma boa razão é que há vários padres homossexuais e é preciso defender a Igreja. A outra é a ideia de natureza na base de toda a moral católica: o sexo serve para a reprodução, há uma sexofobia. Mesmo na questão da bioética a Igreja quer saber qual é a natureza do homem.
Chegou a afastar-se da prática religiosa, como conta no seu livro Acreditar em Acreditar…
Afastei-me um pouco da prática quotidiana. Dos 15 aos 25 anos, eu ia à missa todos os dias, comungava, recitava o breviário, era um pequeno padre. Quando estive na Alemanha a estudar, praticamente deixei a prática religiosa: o meu compromisso religioso estava muito ligado à luta político-religiosa italiana. A experiência católica dos jovens na Itália dos anos 50-60 era mais político-religiosa que mística.
Agora também pratico pouco, porque me conhecem, sabem os meus hábitos, perguntam “o que quer aquele?”. Mas gostaria de frequentar mais a igreja, os sacramentos…
Escreveu que este retorno tem a ver com a experiência da morte. Mas hoje a morte também é escondida e não se fala dela…
Penso pouco na morte. Falo do retorno a um certo discurso religioso e da crise da metafísica. Já não há razões filosóficas para ser ateu. O cientismo é uma filosofia relativamente superada, o historicismo também. Estes dois grandes horizontes do ateísmo moderno já não contam…
Então Deus não morreu?
Quem o sabe? O Deus do teísmo, o Deus moral, garante da ordem natural do mundo, para mim morreu verdadeiramente, porque não precisamos dele. Quanto mais inventámos o pára-raios e a tecnologia, menos devemos rezar para que não nos caia um temporal em cima. Mas isto não quer dizer que o Deus cristão fosse esse Deus.
Sempre pensei que Nietzsche, no fundo, era um pensador cristão, que decretava a morte do Deus metafísico. O Deus metafísico foi sempre muito difícil de suportar mesmo para os cristãos – como se explica o pecado, a predestinação? O Deus de Jesus Cristo, para mim, ainda está vivo.
Esse Deus que Nietzsche decretou como morto é o Deus em que a Igreja ainda crê?
Até certo ponto, sim, no sentido de que esse Deus é o garante da ordem natural. Depende sempre da ideia de que na Bíblia está a verdade sobre a ordem natural do mundo. Provavelmente, não é assim: na Bíblia, está o convite à salvação da alma. Para saber como devo salvar a alma [não] tenho que saber se o sol está quieto ou gira…
Nietzsche defende que Deus morreu depois de ter realizado o seu escopo: crer em Deus serviu para organizar uma sociedade ordenada e também para construir a ciência moderna, porque o monoteísmo é fundamental para pensar o mundo como sistema físico. Logo, este Deus já não servia.
O ateísmo de Richard Dawkins e outros pensadores actuais situa-se na mesma linha de Nietzsche?
Creio que esses estão muito seguros de si para serem nietzschianos. Nietzsche não estava convencido de saber tudo ou que a ciência soubesse tudo. Era um pensador do jogo de interpretações, da presença humana no mundo, que se conhece na medida em que o interpreta.
Dawkins e outros parecem-me banalizadores de tudo. [Christopher] Hitchens diz que a Igreja fez maldades. Já sabemos. Também os estados o fizeram. A popularidade destes autores, que não nego, está ligada à popularidade do fundamentalismo cristão. No Verão de há dois anos, houve dois best-sellers em Itália: um era o livro d[o Papa] Ratzinger; outro é de um matemático que queria calcular a que altura tinha chegado a Virgem, subindo com o corpo ao céu. O problema é este discurso denotativo, descritivo, literal, que a Igreja continua a querer.
As igrejas na Europa estão vazias, a secularização progride… Que retorno do religioso é este?
Há uma certa popularidade da pregação religiosa num mundo em que as pessoas estão desorientadas. Tome-se a bioética: manipular os embriões é algo que disturba, nunca tivemos este problema…
Mas as posições da Igreja nesta matéria são também contestadas.
Mas também são muito escutadas. Quando discuto bioética, prefiro sempre que fale primeiro o teólogo. A tradição cristã apresenta-se sempre como se tivesse algo mais que o pensamento laico.
Há uma reacção de agorafobia perante as novidades tecnológicas. O autêntico retorno ao religioso seria pós-metafísico, tomando consciência de que estamos no mundo para experimentar que temos muita liberdade e para fundar normas, não sobre a pretensão de saber tudo acerca da natureza (que não é um termo útil para raciocinar), mas sabendo que as leis estão sempre nas nossas mãos.
Não creio no direito natural, não posso fundar a lei do Estado sobre o direito natural. Posso, como cristão, fundá-las sobre a caridade e, precisamente por causa da caridade, organizar a convivência.
Mas o Papa acredita no direito natural.
Sim, naturalmente. Gustavo Bontadini, pensador católico italiano, dizia que a Igreja quando está em minoria, fala de liberdade e, quando está em maioria, fala de verdade. A tal ponto que eu, a brincar, queria fundar o movimento anti-clerical cristão.
Eu não quero desprezar a Igreja. Queria que a Igreja fizesse menos pressão. Frente à secularização, a Igreja sente-se mais ameaçada e pressiona mais, o que provoca o efeito contrário [ao pretendido].
O retorno inclui também o fundamentalismo?
Sim, porque quando não é acompanhado da crítica da metafísica, o regresso do religioso torna-se agorafóbico, é uma reacção nevrótica, cria defesas. Mas também depende da mediatização: é estranho que as igrejas estão vazias e, quando fala o Papa, acorrem multidões a ouvi-lo. É um fenómeno do retorno ao religioso ou da massificação televisiva? Não sei.
Defende que é possível o encontro entre o niilismo e o cristianismo. Como?
O processo do niilismo é como uma tradução da ideia de encarnação. É o abaixamento de Deus, que é o sentido próprio da modernidade, da secularização, contra o qual a Igreja sempre recalcitrou…
É esse o “debilitamento” de Deus, de que fala?
Sim. Há um sentido na história: diminuir a violência. A história não tem como escopo chegar à perfeita humanidade – que nem sabemos o que é. Tem o escopo de reduzir progressivamente a violência, mesmo no sentido cristão, substituindo a verdade com a caridade.
Diz que só um Deus relativista pode salvar. O Papa actual condena o relativismo…
O relativismo é difícil de compreender a não ser como facto político. Nunca conheci um relativista que diga “eu penso isto, mas se tu pensas o contrário, tens igualmente razão”. Isto não existe, só como liberalismo social. Quando o Papa fala contra o relativismo, está a condenar uma sociedade que é pluralista. E isto é perigoso. Quando a Igreja está em maioria fala de verdade, quando em minoria fala de liberdade.
Disse na sua conferência que a hierarquia católica toma a Igreja como uma organização militar. Estamos sempre perante um poder?
Parece que sim. A defesa da natureza humana serviu sempre para impor a concepção católica aos não-crentes.
A Igreja diz que a regra moral não deve ser a da maioria.
A maioria não é a regra moral, deve ser a regra política. Por isto, não sei até quando me professo como crente. O meu problema de cristão é que a Igreja me escandaliza, isto é, cria-me obstáculos a crer, quando diz que não devo usar preservativo, que não devo ser homossexual, que não deve haver divórcio em Itália, que a eutanásia não se pode sequer discutir na lei civil.
Tudo isto é escandaloso, afasta-me. O que querem? Que fiquem três ou quatro gatos, mesmo que sejam robustíssimos, como um exército preparado? Se querem isto, eu sou pacifista, não quero fazer parte deste exército.

Março 13, 2008

Diário de uma Mulher Católica a Caminho da Descrença II

Arquivar em: Mulher, Outros Textos — casoual @ 2:58 am

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Para quem não leu o primeiro volume, Rubem Alves fornece alguns excertos aqui.
Do segundo, Ademar Santos faz oito citações do mesmo aqui.

Uma escrita diarística invulgar, em vários sentidos, em Portugal.

Janeiro 24, 2008

Juan Masiá Clavel

Arquivar em: Blogues — casoual @ 2:19 am

Vale a pena conhecer este Jesuíta, Professor de Ética na Universidade Sophia (Tóquio) desde 1970, ex-Director da Cátedra de Bioética da Universidade Pontifícia Comillas, Assessor da Associação de Médicos Católicos do Japão, Conselheiro da Associação de Bioética do Japão, Investigador do Centro de Estudos sobre a Paz da secção japonesa da Conferência Mundial das Religiões pela Paz (WCRP), Colaborador do Centro Social “Pedro Claver” da Companhia de Jesus en Tóquio: Vivir y Pensar en la Frontera.

Maria de Lourdes Pintasilgo

Arquivar em: História, Igreja(s)/Estado, Mulher — casoual @ 2:08 am

O projecto Memória na Internet de Maria de Lourdes Pintasilgo já está disponível aqui.

Julho 19, 2007

Reflexão Cristã, a Revista

Arquivar em: Comunicação Social, História, Outros Textos — casoual @ 11:47 pm

Deixei também passar em claro a comemoração do 30º aniversário desta publicação, a Reflexão Cristã, que acompanho, mercê do entusiasmo com que fui contagiado, entre outras pessoas, por Joana de Barros; através de um rápido vislumbre pelas minhas estantes, desde 1985 até praticamente ao ano 2000.

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Órgão do CRC, o Centro de Reflexão Cristã, onde assisti e acompanhei algumas belas Conferências de Maio, parece-me, actualmente, algo apático e perdido no rumo a seguir. Uma opinião sincera de outsider, caro José Leitão, a quem saúdo daqui fraternalmente: fechou-se o Centro demasiado em torno de si próprio, não se renovou, e as caras que vejo são sempre as mesmas. Um exemplo à mão de semear: o blogue do próprio CRC. Se puder dar o meu modesto contributo, limitado, certamente, aqui fica a oferta (pela história, rica, que quanto ao resto, sou, hoje em dia, um duvidador-mor).

Foi, de facto, uma revista que acompanhei com interesse em tempos, sendo seu assinante regular, bem como de outros projectos, entre os quais destaco os «Cadernos de Estudos Africanos» (uma pena, o seu fim!). Aqui fica um excerto de um post retirado do Inclusão e Cidadania:

«(…) A revista foi ensaiando diversas aproximações à mutação cultural e aos desafios do ser cristão numa sociedade laica e plural, reflectindo diversos tempos e modos, ligados não apenas a uma atenção aos mutáveis sinais dos tempos, mas também às diferentes sensibilidades dos seus directores, que foram sucessivamente Fernando Gomes da Silva, Manuela Silva, José Leitão, José Manuel Pureza e, actualmente, Francisco Sarsfield Cabral.

Constitui uma referência incontornável do catolicismo português do século XX, que continua no século XXI, como se comprova pela leitura do artigo de Paulo Fontes, na História Religiosa de Portugal, vol 3, coordenado por Manuel Clemente e António Matos Ferreira, Círculo de Leitores, páginas 291-292.

Uma revista com este activo tem de voltar a publicar-se com maior regularidade, o que não tem sido fácil dado o carácter totalmente militante de que se reveste a sua publicação, a qual deve muito ao empenho e competência com que Germano Cleto procede à recolha e organização dos textos. Num mundo marcado por poderosas indústrias culturais, a revista inscreva-se na lógica do dom e da cidadania.

Para todos os que se interessam não apenas pelo pensamento cristão face aos desafios da modernidade, mas mais genericamente pela história das ideias torna-se necessário a sua consulta.

Deixo por isso duas sugestões para comemorar os 30 anos da “Reflexão Cristã”. Seria bom que para o próprio CRC, a “Reflexão Cristã” fosse cada vez mais vista como uma revista e não apenas como um boletim, publicando mais números temáticos com textos redigidos apenas para a revista, como aconteceu em alguns períodos da sua história.

Seria também muito interessante que fosse possível ter acesso on-line ao conteúdo dos seus números, a começar pelos mais antigos. O CRC que já dispõe do interessante blogue que podem consultar aqui e que se deve à criatividade de António José Paulino, seria uma vez mais pioneiro se tornasse acessível o conteúdo da “Reflexão Cristã”.

Será isto um sonho. É possível, mas na verdade o sonho comanda a vida


Maria de Lourdes Pintasilgo

Arquivar em: História, Mulher — casoual @ 11:08 pm

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Fez 3 anos no passado dia 10 que faleceu Lourdes Pintasilgo.

Com um trajecto sobejamente conhecido, cumpre aqui lembrá-la, no entanto, pelo seu papel dinamizador em torno da questão feminina. Tendo sido a única primeira-ministra em Portugal, foi também exemplo de alguém sempre empenhado em causas concretas, talvez por isso despertando simpatias, mas também grandes ódios. A mim, proporcionou-me grandes entusiasmos, alegrias e descobertas importantíssimas na altura, entre elas Roger Garaudy.

Pouco conhecida será, porventura, uma fundação que deixou, a

Fundação Cuidar o Futuro

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Febre(s)

Arquivar em: Diversos — casoual @ 10:08 pm

Fases de culpa precedidas de euforia, a que se seguem outras de abatimento e prostração:

 

Religioso, o ser, embora cada vez menos Ideo-lógico… e mais Ani-mista…

Junho 22, 2007

O Desejo e o Pensamento Cristão – X

Arquivar em: Arte, História, Mulher, Outros Textos, Teólogos/Teologia — casoual @ 12:13 am

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«Ainda que Lutero se tenha interessado pouco pela questão das bruxas, sabe-se que acreditava nelas, tanto como no Diabo. Supunha mesmo que certas mulheres eram capazes de enfeitiçar crianças, de transmitir doenças e até de assumir formas diabólicas. Razão porque, dizia ele, “elas são para matar” (deswegen sind sie zu töten).»
in As Quatro Mulheres de Deus, Guy Bechtel

Imagem: Gustav Klimt

Junho 13, 2007

Pausa

Arquivar em: Arte, Diversos — casoual @ 1:28 pm

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Imagem
: Elías Heim, Consolador de espacios solitarios, narciso, evocación cinética de una tortuga invertida.

O Desejo e o Pensamento Cristão – IX

Arquivar em: Comunicação Social, Livros, Mulher, Teólogos/Teologia — casoual @ 8:49 am

Mark VanS – Memória do Corpo

MARCELLA ALTHAUS-REID

Teologia indecente

Polêmica e provocadora, a professora de Ética Cristã da Universidade de Edimburgo reivindica um Cristo bissexual

ELIANE BRUM


No fim dos anos 90, a teóloga Marcella Althaus-Reid começou a escrever um livro para ela e para seus amigos. Era um desabafo de quem, ainda na infância, sentia que não cabia em nenhuma fôrma: nem a da família, nem a da sociedade. O livro fez tamanho sucesso em particular que ela foi convencida a publicá-lo. Indecent Theology (Teologia Indecente) foi lançado no Reino Unido em 2000 e Marcella nunca mais parou de produzir polêmica. No ano passado, ela botou no mercado outro livro provocador: The Queer God (O Deus ”Esquisito”). A palavra inglesa queer é habitualmente traduzida como ”gay”, mas Marcella a usa no sentido original da Cultura Queer, um movimento que surgiu em Londres e Nova York no fim do século XX e ganhou importância na política e no comportamento. Nele, Queer é compreendido como aquilo que está fora da possibilidade de formatação ou definição, para além da ordem. É transgressor, mas também indefinível.

Os dois livros de Marcella – há mais três no prelo – giram em torno desse pensamento, ainda pouco conhecido no Brasil. Marcella defende a idéia de que a teologia precisa resgatar o que é tradicionalmente excluído: não só os pobres, mas a sexualidade. Propõe uma teologia ‘’sem roupas íntimas”, contesta a ”ideologia heterossexual” da Bíblia e lança um Deus de muitas faces – à imagem e semelhança de todos e de nenhum em específico. Provocadora – por convicção e por marketing -, essa argentina convertida em escocesa, criada na religião protestante quacre, esteve no Brasil pela primeira vez no fim de agosto, a convite da Universidade Metodista de São Paulo. Fez conferências e esvaziou as livrarias paulistanas dos livros do poeta Glauco Mattoso, de quem é fã confessa. Deu a seguinte entrevista a ÉPOCA.

Dados pessoais
Nasceu em Rosário, Argentina. Vive na Escócia há 18 anos. Tem 52 anos

Carreira
Com Ph.D. em Teologia, é professora da Universidade de Edimburgo, onde leciona Ética Cristã e Teologia Prática

Livros publicados
Indecent Theology (2000), The Queer God (2003). Ainda em 2004, vai lançar Da Teologia Feminista à Teologia Indecente. Nenhum deles foi traduzido para o português

ÉPOCA – Você diz que a Teologia Indecente é como levantar as saias de Deus. O que isso significa exatamente?
Marcella Althaus-Reid -
A Bíblia está cheia de metáforas sexuais. O cristianismo vem de uma metáfora sexual – um Deus que tem amores com uma mulher e dessa relação amorosa nasce Cristo. Sai tudo de uma matriz sexual que querem sempre dessexualizar. Uma nuvem, uma pomba, um anjo. E essa mulher é comprometida, aparece com uma gravidez que não sabem de onde vem. ”Mas quem é teu pai?”, deviam dizer a Jesus quando ele andava por Israel. Então, em vez de rechaçar a metáfora sexual, eu brinco com ela. O cristianismo entende e organiza o mundo a partir de uma ideologia heterossexual: a família, a subordinação, a dualidade. Minha proposta é pensar uma fé e uma teologia a partir de experiências sexuais diferentes. Não a dos gays, ou a das lésbicas, ou a dos travestis, mas a partir da Teoria Queer, uma espécie de guarda-chuva que abriga toda a diversidade sexual. Quero saber, por exemplo, como um travesti se relaciona com o sagrado, como é o Deus do transexual. Minha teologia não é sobre igualdade, é sobre diferença. (mais…)

Junho 11, 2007

O Desejo e o Pensamento Cristão – VIII

Arquivar em: História, Outros Textos — casoual @ 1:01 am


Dos tratos ilícitos, há vários artigos interessantes sobre a sexualidade e a forma como foi vivida no Brasil:
1 – O sexo devoto: normatização e resistência feminina no império português – XVI – XVIII, uma tese de Suely Creusa Cordeiro de Almeida, que pode ser descarregada e lida integralmente aqui.
2 – A Igreja Católica E O Casamento No Brasil, 1860-1890, de Maria Connceição Silva
3 – Tratos Ilícitos E O Clero Colonial – Suely Cordeiro & Gian Silva
4 – A Igreja E O Matrimônio Na Formação Da Família No Brasil Colônia – Suely Cordeiro & Gian Silva
estes três últimos descarregáveis e lidos em Word no sítio do Centro de Estudos da História da Igreja na América Latina.

Imagem retirada de Teatro Profano e Religioso, O Teatro no Brasil colonial

Junho 6, 2007

O «Jesus» de Bento XVI

Arquivar em: Comunicação Social, Teólogos/Teologia — casoual @ 12:45 am

«O Evangelho segundo Joseph Ratzinger

O primeiro livro de Bento XVI como papa acaba de ser publicado. A sua dupla qualidade de papa e teólogo constitui a um só tempo a sua riqueza e a dificuldade de leitura do livro.» trad. CSA

Uma emissão do Canal Académie, em francês, sobre o livro, com Damien Le Guay.

NOTA – À l’Ouest, rien de nouveau!

Maio 24, 2007

O Desejo e o Pensamento Cristão – VII

Arquivar em: Arte, Mulher, Outros Textos — casoual @ 6:20 am

«Ia orana Maria»*

«Raros são os que conhecem
o mistério do amor,
os que sentem a fome insaciável
e a sede eterna.
(…)
Mas aquele que já bebeu
de lábios cálidos e amados
o alento da vida,
aquele cujo corpo sentiu fundir-se
em ondas que estremecem nesse divino braseiro
(…)
esse come a carne do Senhor
e bebe o seu sangue para sempre.», Novalis


* Gauguin, Eu te saúdo, Maria

Maio 20, 2007

Da(s) crença(s), de Fátima, do mês mariano – VIII

Arquivar em: Diversos — casoual @ 8:43 am

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O PAGADOR DE PROMESSAS
Jornal Público, 13/05/2007

Maio 19, 2007

Da(s) crença(s), de Fátima, do mês mariano – VII

Arquivar em: Cinema, Mulher — casoual @ 7:36 am


«Maria, uma jovem cega, supostamente violada pelo padrasto, é internada no pavilhão isolado e em ruínas dum hospício, mantendo firmemente a esperança de um milagre pela Senhora de Fátima.
Confiada por Ângela, sua tia freira, aos cuidados do Dr. Firmino, um médico impotente, terá momentos de desespero, graça e espanto – entre crenças, fantasmas e revelações.»
As Horas de Maria, um filme de António de Macedo, um alquimístico, segundo se declarou nesta entrevista.

Maio 17, 2007

Da(s) crença(s), de Fátima, do mês mariano – VI

Arquivar em: Cinema, Mulher — casoual @ 8:18 pm

«Je vous salue, Marie» *


Quem se recorda de, à porta da Cinemateca em Lisboa, o então autarca Krus Abecasis, de terço em punho, liderar um pequeno grupo de beatas que queriam impedir a exibição deste filme?

Imagem: Fotograma do filme * de Jean Luc Godard
Imagem: Instalação «Desenhando com terços», Márcia X.

Maio 13, 2007

Da(s) crença(s), de Fátima, do mês mariano – V

Arquivar em: Diversos, Outros Textos — casoual @ 6:06 pm

Um inquérito internacional conduzido pela organização Gallup deu os seguintes resultados em 1981: (Neuhaus, 1986, pp. 119-20):
Pergunta: «Acredita na existência de Deus ou de um espírito universal?»
Por esta ordem: % respostas «Sim», % respostas «Não», % respostas «Não sei»:
EUA – 95 / 2 / 3
República da Irlanda – 95 / 3 / 2
Irlanda do Norte – 91 / 3 / 5
Espanha – 87 / 8 / 6
Itália – 84 / 10 / 6
Bélgica – 77 / 12 / 10
Grã-Bretanha – 76 / 16 / 9
RFA – 72 / 16 / 12
Noruega – 72 / 22 / 7
Países Baixos – 65 / 25 / 10
França – 62 / 29 / 9
Dinamarca – 58 / 27 / 15
Suécia – 52 / 35 / 14

À pergunta «Acredita na vida depois da morte?», pela mesma ordem, as respostas foram:

República da Irlanda – 76 / 14 / 11
Irlanda do Norte – 72 / 14 / 14
EUA – 71 / 17 / 13
Espanha – 55 / 26 / 18
Finlândia – 49 / 32 / 20
Itália – 47 / 33 / 19
Grã-Bretanha – 45 / 35 / 19
Noruega – 44 / 40 / 16
Países Baixos – 42 / 40 / 18
RFA – 39 / 40 / 21
Bélgica – 37 / 39 / 24
França – 35 / 50 / 14
Dinamarca – 26 / 55 / 19

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Imagem: Salvador Dalí

Da(s) crença(s), de Fátima, do mês mariano – IV

Arquivar em: História, Igreja(s)/Estado, Livros, Outros Textos — casoual @ 7:05 am

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II
«Há dois fenómenos que surgem continuamente na obra de Franco Nogueira sobre Salazar e que são elucidativos a este respeito. Um está presente em quase todas as cartas do Cardeal Cerejeira a Salazar: Cerejeira relembra continuamente ao seu amigo António que ele está ligado ao milagre de Fátima – “Tu estás ligado a ele: estavas no pensamento de Deus quando a Virgem SSma preparava a nossa salvação. E ainda tu não sabes tudo… Há vítimas escolhidas por Deus pa. orarem por ti e merecerem pa. ti”» in Frei Bento Domingues, A Religião dos Portugueses

Imagem: Milagre do Sol

Centro de Reflexão Cristã (C.R.C.)

Arquivar em: Comunicação Social, Instituições — casoual @ 2:55 am

Inserida no programa A Fé dos Homens, na RTP 2, foi emitida uma entrevista sobre o CRC, a sua história, as suas actividades e em particular sobre as Conferências de Maio, que já estão a decorrer, com a participação de José Leitão e António José Paulino.
A ver aqui.

Maio 11, 2007

Da(s) crença(s), de Fátima, do mês mariano – III

Arquivar em: História, Igreja(s)/Estado, Livros, Outros Textos — casoual @ 11:23 pm

A propósito de «Fátima 1967 – A visita polémica de um papa», de Joana Lopes, fui reler algumas coisas, e entre elas, A Religião dos Portugueses, de Frei Bento Domingues, um livrinho, quase um opúsculo, que passo a citar em vários apontamentos:

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I
«”Portugal nasceu à sombra da Igreja e a religião católica foi desde o começo elemento formativo da alma da Nação e traço dominante do carácter do povo português. Nas suas andanças pelo Mundo – a descobrir, a mercadejar, a propagar a fé – impôs-se sem hesitações a conclusão: português, logo católico.
“Tiveram o restrito significado de lutas políticas, e não de questão religiosa, os dissídios dos primeiros séculos entre os reis e os bispos e os que mais tarde envolveram os governos e a Cúria.
“Na nossa história nem heresias, nem cismas; apenas vagas superficiais que, se atingiam, por vezes, a disciplina, não chegaram a perturbar a profunda tranquilidade da fé. A adesão da generalidade das consciências aos princípios de uma só religião e aos ditames de uma só moral, digamos, a uniformidade católica do País foi assim, através dos séculos, um dos mais poderosos factores da unidade e coesão da Nação Portuguesa. Portanto, factor político da maior transcendência; e por esse lado nos interessa.
“(…) Sob o aspecto político, a Concordata pretende aproveitar o fenómeno religioso como elemento estabilizador da sociedade e reintegrar a Nação na linha histórica da sua unidade moral (Dr. Oliveira Salazar).”»

Imagem: Luís Noronha da Costa

O Desejo e o Pensamento Cristão – VI

Arquivar em: Mulher, Outros Textos — casoual @ 3:53 am

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«Tal como um noivo que saiu do seu quarto, ele adiantou-se predizendo o seu casamento na planície do mundo. Adiantou-se até ao leito da sua cruz e, depois de subi-lo, confirmou a sua união. E quando sentiu os pesados suspiros da criatura, com um piedoso abandono sacrificou-se para resgatar a sua esposa e uniu-se à Mulher para toda a eternidade.» in Santo Agostinho, Serm. Suppos. 120, 8.

Imagem: Jean-François Bauret, Cruci-Fictions

Da(s) crença(s), de Fátima, do mês mariano – II

Arquivar em: Comunicação Social, Diversos — casoual @ 3:30 am

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Imagem: revista Visão, 10-5-07

Maio 9, 2007

Da(s) crença(s), de Fátima, do mês mariano…

Arquivar em: Comunicação Social, Outros Textos — casoual @ 6:48 pm

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No mês mariano, que culminará no 13, poderia dissertar-se sobre a importância do número, de como cada Lua Cheia ocorre 13 dias depois da Lua Nova anterior, de como a data da última Lua Nova de Janeiro se calcula a partir da Epacta do ano e dela se obtêm as Luas Novas de… mas não, o que espanta, encanta, fascina é aquele ajuntamento, aquele sofrimento, aquela ingenuidade e a simplicidade, é dizer o menos, de muito analista de jornal… ou por outra, de como quem detém «as rédeas» – sejam elas de que ordem for – se compraz no fenómeno, quer desprezando-o liminarmente, quer declarando-se incrédulo ou proclamando a «liberdade» do povaréu poder manifestar-se «à sua maneira», «inculta», «primária», «folclórica».
Pois não está bem de ver que perante «tais» senhor(a)es omnipotentes, não resta à ignara gente outra solução que o «dou para que dês»? Oremos, pois, e mantenhamos «a infância católica», que a «cunha» para a operação sempre funcionou neste país, as «associações de caridade» sempre distribuíram «migalhas» ao pobre… que outro modo tem «o miserável» encharcado no «ópio» se não a magia de prender as forças sobrenaturais e tentar revertê-las a seu favor?
(Ainda que o fenómeno da(s) crença(s) não seja muito diferente nos países ditos evoluídos; noutros posts, reproduzirei aqui alguns números.)
Imagem: JF, Religion plastique

O Desejo e o Pensamento Cristão – V

Arquivar em: Livros, Outros Textos — casoual @ 2:33 am

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«Simone Weil, nas suas obras, insiste frequentemente na oposição entre o corpo e a alma. Alguns dos seus intérpretes, ou antes dos seus críticos, trataram-na como maniqueia. Para eles um tal juízo era pejorativo, pelo menos consideravam-no como tal. Ora ninguém pensou em acusar Malebranche de ser maniqueu quando, tendo falado do dualismo do corpo e da alma no seu Préface de la recherche de la Vérité, precisou: “É mais da natureza do nosso espírito estar unido a Deus do que estar unido a um corpo.” Ou ainda: “A nossa união com Deus diminui e enfraquece-se à medida que a nossa união com as coisas sensíveis aumenta e se fortifica.” (…)
Nas suas Définitions, Alain escreveu: “A alma é aquilo que recusa o corpo…” Depois de ter enumerado diversas recusas, concluiu: “Estas recusas são factos do homem. A recusa total é a santidade.”»[1]
in Simone Weil, Marie Magdeleine Davy, Lisboa, União Gráfica, 1969, p. 59 (trad. António José Massano)

[1] Définitions, Paris, 1953, p. 23-24.

Imagem: fotograma de Acto de Primavera, Manoel de Oliveira

Maio 8, 2007

O Desejo e o Pensamento Cristão – IV

Arquivar em: Livros, Outros Textos — casoual @ 2:26 am

angry-_3-by-robert-brown.jpg«O carrasco já estava no local. Dispusera três homens de armas à entrada do caminho que conduzia à fonte de Vaucluse para afastar os curiosos. Opicinus de Canistris, com quem Roberto contava para ordenar a cerimónia da sua crucificação, fizera saber que estava com febre e não podia ir. O pintor, logo que viu os instrumentos do suplício, pediu para se retirar até à deposição da cruz. (…) Cingiu os quadris com uma tanga branca e sentou-se no chão. Mandou dispor diante de si os cravos, o chicote, as cordas, a coroa de espinhos e a espada. Observou um a um os objectos e meditou profundamente sobre os sofrimentos que cada um deles lhe infligiria, tal como a Cristo. (…)
Roberto colocou-se pois por baixo da cruz que os ajudantes haviam levantado do solo, mas não foi capaz de a suportar. Forçado pela carga, caiu sobre o rochedo logo ao primeiro passo e feriu-se profundamente no joelho direito. (…) Ele seguia-os flagelando-se, resignado a não imitar Cristo na sua paixão senão de uma forma aproximada. A dor familiar do chicote restituiu-lhe um pouco da confiança. (…) A partir do trigésimo açoite, a sua alma expandiu-se numa bem-aventurada iluminação. Aproximava-se do limiar misterioso a partir do qual se opera a passagem do humano ao divino. (…)
Quando chegou ao cimo, ajoelhou-se e inclinou a cabeça para a coroa de espinhos. (…) Os ajudantes puseram-lha sobre o crânio e enterraram-na com pequenos golpes. Produziu-se uma efusão de sangue que molhou o rosto e a barba de Roberto. O carrasco enxugou-o com uma esponja a fim de que não cegasse, mas o sangue jorrava de tal maneira que, por um largo momento, Roberto ficou sem poder abrir as pálpebras. Ele não via o seu rosto, mas imaginava-o como apareceria no lençol. (…)»
O Cavaleiro do Sudário, René Swennen, Edições Asa, tradução de Carlos Sousa de Almeida

Imagem: “Angry #3″, Robert Brown

Maio 6, 2007

No dia da Mãe

Arquivar em: Mulher — casoual @ 12:01 am

1 – «L’accès à la paternité et les différentes fonctions qui en découlent sont en pleine mutation. Le déclin social du père amorcé depuis bientôt trois déccenies remet plus ou moins directement en cause la nomination, le géniteur et celui qui élève l’enfant. Le père reste l’homme d’une femme: sa place est celle d’un parent par alliance qui n’existe que par le lien que le futur père entretient avec la future mère. La paternité ne peut donc s’établir que par les mères.», Dictionnaire de psychopathologie de l’enfant et de l’adolescent, PUF
2 – «Em sânscrito, linga significa “signo” e, precisamente, Xiva triunfa sobre o universo informal e assexuado personificando o signo e o sexo (…). “O linga ou falo, fonte de vida, é a forma através da qual pode ser evocado o Ser Absoluto de onde proveio o mundo”.» (Daniélou, 1993)
3 – «O falo é o significante privilegiado dessa marca em que a parte do logos se liga ao advento do desejo… Podemos dizer também que, pela sua turgidez, ele é a imagem do fluxo vital enquanto passa por gerador.» (Lacan, 1971)
4 – Françoise Dolto gostava de lembrar a proximidade anatómica das regiões sagrada e vergonhosa na zona do corpo humano que mistura as funções de excreção e geração (o sacro, o nervo pudendo, os ligamentos uterossagrados).
5 – E também Santo Agostinho exprimia o seu tormento relativamente a esses inícios vergonhosos da vida, ao mesmo tempo que confiava em que seríamos redimidos dessa baixeza original pela graça de Deus.
6 – E para finalizar, Madonna, cujas canções comportam múltiplas referências católicas e mariais, dizia: «Obstino-me em falar de sexo para fazer obra evangélica.»

Imagem: Jeffrey Vallance, Clown Family Tree, 1998

Maio 4, 2007

O Desejo e o Pensamento Cristão – III

Arquivar em: Livros Sagrados, Mulher — casoual @ 12:51 am
«Eis o que vos digo, irmãos: o tempo é breve.
De agora em diante, os que têm mulher, vivam como se a não tivessem; (…) porque este mundo de aparências está a terminar. Eu quisera que estivésseis livres de preocupações. (…) Mas aquele que tem esposa cuida das coisas do mundo, como há-de agradar à mulher, e fica dividido. (…) Digo-vos isto para vosso bem, não para vos armar uma cilada.»

«(…) Portanto, aquele que desposa a sua noiva, faz bem; e quem a não desposa faz ainda melhor. Julgo que também eu tenho o Espírito de Deus.» I Cor. 7

Imagem: Lillian Bassman, s/t

Imagem: Nobuyoshi Araki, s/t

Maio 3, 2007

Livros portugueses proibidos no Regime Fascista

Arquivar em: História, Livros — casoual @ 2:05 am

Livros portugueses proibidos no Regime Fascista: bibliografia (PDF), Alvim, Luísa (1992).

Via Não Apaguem a Memória

Maio 1, 2007

O Desejo e o Pensamento Cristão – II

Arquivar em: Livros, Mulher, Outros Textos — casoual @ 3:19 pm
«Ó meu Deus… Esperarei o que quiserdes, só não quero que, por minha culpa, a minha união convosco seja adiada, também quero fazer todas as minhas diligências para arranjar um vestido bonito, guarnecido de pedras preciosas. Quando o virdes tão ricamente enfeitado, estou certa de que nenhuma das criaturas vos impedirá de descer até mim para me unir para sempre a vós, meu bem-amado.», in Manuscrits autobiographiques de sainte Thérèse de l’Enfant Jésus

Imagem: Jocelyn Hobbie, Nun-painter

Abril 24, 2007

O Desejo e o Pensamento Cristão

Arquivar em: Arte, Outros Textos, Teólogos/Teologia — casoual @ 5:43 pm

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«O Pensamento Cristão
“A alma fornica”, a carne e o divino

Hoc est corpus meum! Este é o meu corpo: são estas as palavras pronunciadas por Jesus dirigidas aos seus discípulos quando da Ceia, inventando literalmente o seu corpo, o “corpo cristão”. Ao fazê-lo, ele muda também o estatuto do religioso, com o deus feito homem, e cuja carne é oferecida às suas ovelhas, inaugurando a era daquilo a que o psicanalista Béla Grunberger chamou o “narcisismo cristão”. A irrupção do divino na “carne” humana e a dupla natureza de Cristo não suprimem o desejo, redistribuem o jogo, anunciando uma divisão dos papéis e uma nova ambivalência do desejo, encontrando mais do que um eco, o que não desagrada aos novos hedonistas, no desejo dos modernos. (…) Quando Santo Agostinho, herdeiro de Tertuliano, de Lactâncio e de outros, vem a mudar de opinião relativamente ao antropocentrismo cristão, fará efectivamente de Cristo uma “excepção”. Jesus tinha fome e sede como todos, morreu como todos, mas dependia de si decidir quando teria fome ou sede, quando entregaria a alma. Melhor ainda, acrescenta numa homilia sobre o evangelho de Jesus, sentia-se perturbado como todos, mas porque assim o queria. Mas onde Pelágio da Bretanha, a sombra negra de Agostinho, imaginava que cada um podia controlar o seu, a exemplo de Cristo, o bispo de Hipona conclui que só a graça podia, no comum dos mortais, triunfar sobre o desejo, deslocá-lo para outra escolha de objecto, como dizem os psicanalistas, ainda que, dirá Lacan, o desejo vise sempre ao lado do seu objecto. A Orígenes, que, seguindo uma sugestão pauliniana, queria criar um “eunuco pelo reino dos céus” (…) Agostinho e a instituição responderão: retirai o sexo, subsistirá o desejo. Não são, portanto, nem o sexo nem o desejo os culpados, mas, em tal circunstância, os seus objectos. (…) Mas basta ler as Confissões e pensar na paixão das polémicas contra Julião de Eclane para saber que não foi assim tão fácil a Agostinho “evitar D. Juan em Orígenes”, segundo a expressão de Victor Hugo, disciplinar o corpo resistindo às tentações da carne e aos seus magros proveitos. Escravo do seu próprio desejo ao ponto de estar “fora de si” ainda que “Deus estivesse em si”, é nesse cadinho que criará mais tarde a sua teologia do pecado que resumirá em duas palavras: “a alma fornica” (Conf. II, VI, 14). Como Agostinho, contudo, Julião falava por experiência própria. Estivera durante algum tempo casado com a filha de um bispo, e a união com ela fora para si “uma restauração da inocência de Adão e Eva”: o desejo sexual que experimentara era inocente e abençoado por Deus.»
(texto de Pierre-Emmanuel Dauzat; Le Magazine Littéraire, nº 455, Julho-Agosto de 2006; Trad. de CSA)

Imagem: Francisco Ribalta (1565-1628), Cristo abrazando a San Bernardo

Abril 21, 2007

Conferências de Maio, 2007

Arquivar em: Diversos — casoual @ 5:55 am

Promovidas pelo CRC – Centro de Reflexão Cristã
O QUE NOS FAZ CORRER?

PODER E PRAZER, FORÇA E FRAQUEZA
8 de Maio, 3ª feira, 18:30 H

Clara Pinto Correia
Eduardo Lourenço

Moderador: José Leitão

TROCA, TRABALHO E DOM
15 de Maio, 3ª feira, 18:30 H

Manuel Brandão Alves
Manuel Carvalho da Silva
Maria das Neves Jesus

Moderador: Guilherme d’Oliveira Martins

O CULTO DO CORPO: ENCANTO DESENCANTO
22 de Maio, 3ª feira, 18:30H
Eduardo Sá
Laurinda Alves
Helena Marujo
Luís Miguel Neto

Moderador: Manuel Vilas Boas

DE QUE ESPÍRITO SOMOS ?
29 de Maio, 3ª feira, 18:30 H

Anselmo Borges
Francisco Sarsfield Cabral
José Tolentino Mendonça

Moderador: Pe. Peter Stilwell

Local: Centro de Estudos da Ordem do Carmo
Rua de Santa Isabel, 128-130. Lisboa (Metro: Rato)

Abril 16, 2007

Siquismo

Arquivar em: Comunicação Social, Diversos — casoual @ 5:34 pm

Os siques da Pontinha

«O sikhismo, com os seus 500 anos, [ligação minha] é uma religião jovem e moderna que acredita na igualdade entre as pessoas, independentemente da raça, credo ou sexo. Nasceu no Punjab e é hoje praticada por 23 milhões. Em Lisboa vive uma comunidade de 5 a 6 mil sikhs, mas como os jovens nem sempre usam turbante, facilmente passam despercebidos. O turbante é a característica mais visível desta comunidade, uns sete metros de pano à volta da cabeça… isso e uma barba comprida. A mais invisível é a hospitalidade e a generosidade desta gente.» Ver fotogaleria, in Expresso, 14 de Abril de 2007

Abril 15, 2007

«Os católicos portugueses e a ditadura»

Arquivar em: História, Igreja(s)/Estado, Livros — casoual @ 1:22 am

aqui dera nota do lançamento deste livro, Entre as brumas da memória,  através da leitura crítica de Rui Bebiano no Passado/Presente. É de novo por ele que descubro e dou a conhecer a criação de um novo blogue com o mesmo nome, Entre as brumas da memória, pela autora do livro, Joana Lopes, para debate sobre o referido projecto. E onde consta, por exemplo, uma importante mensagem, da autoria de Nuno Teotónio Pereira, sobre os padres e bispos que enfrentaram a ditadura.

Abril 14, 2007

Terras d’Além-Mar – II

Arquivar em: Arte, História, Igreja(s)/Estado, Livros, Outros Textos — casoual @ 1:04 am

4.jpgLer os «Ensaios de Mitologia Cristã – O Preste João e a Reversibilidade Simbólica», de Manuel João Ramos, Assírio & Alvim, é encetar uma complexa e rica viagem pelo simbólico, com os seus bestiários, mitos e romances medievais; e é ainda, e sobretudo, seguir o percurso da procura da unidade perdida, através de diversas mediações, seguindo, ao mesmo tempo, as várias versões que a Carta foi tendo e, por último, ou talvez primeiro, o pensamento, mítico e religioso, europeu: da conversão da imagem inicial de um soberano asiático na de um monarca etíope.

Manuel João Ramos tem ainda uma outra contribuição riquíssima na Rede, nomeadamente a exposição online «DE FORA, DA TERRA – Presença Jesuíta na Etiópia do Séc. XVII», ou «THE INDIGENOUS AND THE FOREIGN – The Jesuits presence in 17th century Ethiopia».
E é dele, Manuel João Ramos, e da National Geographic, que citaremos alguns textos e imagens, com a devida vénia, de um artigo mais extenso titulado: «Ascensão e Queda do Catolicismo na Etiópia».

A Vida no Lago Tana

Este pequeno quadro representa o lago Tana, rodeado por ilhas e ilhéus com conventos habitados por monges. Também se podem ver nesta imagem uma série de jangadas de papiro com pescadores e viajantes que navegam no lago.

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A viagem entre Adis Abeba e o Norte da região de Amhara é longa e cansativa. Chegar à pequena cidade de Gondar demora pelo menos 2 dias por uma estrada poeirenta e traiçoeira. Para a atingir, é necessário percorrer montanhas escarpadas e atravessar as gargantas do Nilo Azul, tentando evitar distracções momentâneas que se podem revelar fatais: uma vaca ou um burro que se atravessam na via, uma falha no pavimento causada por uma enxurrada recente, ou mesmo uma derrocada repentina. Quando nos aproximamos do lago Tana, a sul de Gondar, encontramos, espalhados na paisagem montanhosa, enigmáticos conjuntos monumentais, hoje arruinados. Em Enfraze, em Danq’aze, em Debra Mai ou em Gorgora, trata-se sempre de um mesmo modelo construtivo: no centro de uma grande cerca de pedra amuralhada, um castelo de planta quadrada ergue-se no cimo de uma colina. A alguma distância daquelas estruturas defensivas, encontramos também ruínas de igrejas de traça católica europeia. Uma missão jesuíta entrou no território etíope em 1557 e ali permaneceu até 1634. Os textos destes padres relatam que existiu no Norte do país uma comunidade católica de portugueses e indianos, e seus descendentes. Também de acordo com estes textos, foram eles que transmitiram aos etíopes o conhecimento da tecnologia da construção em pedra e argamassa, usada nos castelos e igrejas católicas. Estes monumentos, abandonados há séculos, são testemunhas silenciosas das terríveis guerras de religião que assolaram a Etiópia. A região em torno do lago Tana foi palco de dramáticos confrontos entre populações judaicas, muçulmanas, cristãs e pagãs. E a actividade dos missionários católicos num reino maioritariamente cristão, mas ortodoxo, foi um factor suplementar de instabilidade. Após um breve período de aparente sucesso, marcado pela conversão do negusa negast (”rei dos reis”) etíope ao catolicismo em 1620, os jesuítas acabaram por ser perseguidos, mortos ou expulsos do país, e as igrejas católicas foram destruídas e pilhadas.

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A Lenda da Rainha do Sabá

Uma das muitas versões pictóricas da lenda de Makeba, a rainha do Sabá. O povo etíope oferece o trono a quem conseguir matar a Serpente. Agabos (pai de Makeda) torna-se rei, oferecendo ao monstro uma cabra envenenada, e Makeda, a sua única filha, sobe ao trono depois da morte do pai. De Jerusalém chega um mercador que traz notícias do rei Salomão e Makeda envia-lhe presentes, partindo depois para a cidade, através do Mar Vermelho. Makeda chega ao palácio de Salomão e este ensina-lhe os hábitos dos reis judeus, mas engana-a, ao dizer-lhe que ela não deve retirar nada do palácio, sob pena de ter que dormir com ele. O rei dorme com a escrava de Makeda e acaba por dormir também com ela, por ter bebido água do palácio. Na despedida de Makeda, que regressa à Etiópia, o rei Salomão oferece-lhe um presente. Makeda e a sua escrava acabam ambas por dar à luz um filho de Salomão. Menelik (filho de Makeda) e o seu meio-irmão fazem uma visita a Jerusalém, onde Menelik é reconhecido por Salomão, graças ao presente que traz consigo (que tinha sido oferecido à sua mãe). Os dois filhos de Salomão regressam à Etiópia com a Arca da Aliança, e Makeda acaba por morrer, sendo enterrada em Axum. Sucede-lhe o seu filho Menelik, proclamado rei da Etiópia.

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Arcanjo São Miguel

Nesta pintura vê-se o arcanjo São Miguel, acompanhado de vários anjos, com as vestes de um Ras etíope (alto dignatário ou membro da antiga família imperial). O Diabo vencido encontra-se caído diante deste anjo, conhecido como aquele que luta contra as forças do mal. Tal como acontece em todas as pinturas religiosas etíopes, também nesta, o Diabo tem a pele bastante mais escura que a dos personagens sagrados e celestiais.

Abril 11, 2007

Terras d’Além-Mar

Arquivar em: História, Livros — casoual @ 8:55 pm

monomotapa.jpg

Oh! ditosos aquelles que puderam

Entre as agudas lanças africanas

Morrer, em quantos fortes sustiveram

A Sancta Fé nas terras Mauritanas;

De quem feitos ilustres se souberam,

De quem ficam memórias soberanas,

De quem se ganha a vida com perdel-a,

Doce fazendo a morte as honras d´ella!

(Lusíadas – Canto VI Est. LXXXIII)

A propósito da publicação de O VENERÁVEL PADRE GONÇALO DA SILVEIRA – Proto-mártir da África Austral (1521-1561), Francisco Correia, S.J., Editor: Editorial Apostolado da Oração, Braga, pode ler-se este documento sobre a acção de D. Francisco Barreto em Moçambique e no reino do Mo(Be)nomotapa Negomo Muzupunzaguto a mando de D. Sebastião e da sua política de colonização.

Imagem

Abril 10, 2007

Dioecesis Sancti Thomae in Insula

Arquivar em: História, Instituições — casoual @ 8:01 pm

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A pedido de alguns jornalistas, sobre a Diocese de S. Tomé e Príncipe:

«Diocese of São Tomé e Príncipe

Dioecesis Sancti Thomae in Insula

Bishop(s)

Abílio Rodas de Sousa Ribas, Bishop, C.S.Sp.

    (Bishop: 3 Dec 1984 – 2 Dec 2006)

Manuel António Mendes dos Santos

Appointed (Bishop: 1 Dec 2006 – )

Information

Type of Jurisdiction: Diocese

  • Erected: 3 November 1534
  • Immediately Subject to the Holy See
  • Rite: Latin (or Roman)
  • Country: São Tomé e Príncipe
  • Square Kilometers: 1,001 (386 Square Miles)
  • Mailing Address: C.P. 104, Sao Tome, Sao Tome e Principe
  • Telephone: (012)23.45
  • (et caetera) in Catholic Hierarchy

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Abril 8, 2007

A redenção pela morte sacrificial

Arquivar em: Arte, Livros, Outros Textos — casoual @ 3:17 am

«De modo hesitante, dá-se então o passo seguinte, a prestação de culto apenas a um deus, e por fim surge a decisão de atribuir a um único deus todo o poder, não admitindo outros deuses a par dele. Somente com isto a soberania do pai da horda primitiva ficou reconstituída, e os afectos para com ele puderam ser repetidos. O efeito do encontro com algo de que tão longamente se careceu e desejou, foi tremendo, e exactamente como a tradição da imposição da lei no monte Sinai o descreve: admiração, veneração e gratidão [...] A convicção da sua invencibilidade, a submissão à sua vontade não poderão ter sido mais absolutas no filho indefeso e intimidado do pai da horda primitiva [...] No quadro da religião de Moisés não havia lugar para a expressão directa do ódio assassino para com o pai; em relação a ele, podia apenas manifestar-se uma reacção poderosa, a consciência da culpa. [...] O sentimento de culpa daquele tempo há já muito que se não limitava ao povo judeu [...] Apesar de todas as aproximações feitas de diferentes lados, foi realmente um homem judeu, Saulo de Tarso, que como cidadão romano se denominava Paulo, quem primeiro pressentiu no seu espírito: somos assim infelizes, porque matámos deus pai. [...] O pecado original e a salvação pelo sacrifício da morte foram as traves mestras da nova religião fundada por Paulo. [...] la-chiamata-di-pietro-beato-angelico-miniatura-del-messale-558.jpg
«Só uma parte do povo judaico aceitou a nova doutrina. Aqueles que se recusaram, ainda hoje se denominam judeus. Com esta divisão, ficaram mais profundamente separados dos outros que antes. Da nova comunidade – que agora, para além de judeus, incluía egípcios, gregos, sírios, romanos e, por fim, também germanos – tiveram de ouvir a acusação de ter assassinado Deus. [...] Por que razão terá sido impossível aos judeus acompanhar este progresso, que integrava o reconhecimento do assassínio de Deus apesar de toda a deformação feita, será objecto de uma investigaçã especial. Deste modo, os judeus carregaram sobre si mesmos uma pesada culpa; têm sido severamente castigados por isso.
A nossa investigação talvez tenha lançado alguma luz sobre a questão de como é que o povo judaico adquiriu as peculiaridades que o caracterizam. Mas pouco esclareceu o problema de como eles terão podido subsistir como individualidade até ao presente. É, no entanto, justo dizer que não exigimos nem esperamos respostas exaustivas a tais enigmas.
Tudo o que posso oferecer é uma obra feita com as limitações que inicialmente mencionei.»
Sigmund Freud, Moisés e o Monoteísmo, tradução de Isabel de Almeida e Sousa, Relógio d’Água Editores

Imagem: La chiamata di Pietro, Beato Angelico, miniatura del messale 558, Museo di San Marco, Firenze

Abril 7, 2007

Crucificação ou Crucifixão, do latim «crucifigere».

Arquivar em: Arte — casoual @ 7:27 pm

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Imagem: Maria Maddalena, Masaccio, particolare della Crocifissione, Museo Capodimonte, Napoli

Abril 5, 2007

BARAKA

Arquivar em: Cinema — casoual @ 10:47 pm

Abril 4, 2007

Corpus Christi – V

Arquivar em: Teólogos/Teologia — casoual @ 11:59 pm

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Poderia Jesus conceber a sua ressurreição de entre os mortos?
A pergunta obrigará à interpretação da noção judaica de ressurreição.
As aparições de Jesus nos evangelhos não são idênticas à apresentada por Paulo. Neste, Jesus é apresentado como um ser imaterial, um puro espírito. Naqueles, tem a aparência da carne, o corpo ostenta os sinais, quase se lhe pode tocar. Porquê? Na concepção semítica do homem, não há espírito sem corpo. E a sua morte foi igual à de tantos outros judeus durante o domínio romano. O anúncio da ressurreição e a sua proclamação como Senhor e Cristo levará à separação definitiva do Judaísmo. O Messias torna-se “Christos”. A figura teológica suplanta a personagem histórica.

Imagens: fotograma: Nostalgia, A. Tarkovski

Corpus Christi – IV

Arquivar em: Arte, Teólogos/Teologia — casoual @ 11:55 pm

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Dos anos 30 ao final do séc. I da nossa era, os discípulos de Jesus, judeus, vão entrando em conflito com a sinagoga. Vão reivindicar-se como o verdadeiro Israel. A contradição que existe entre o evangelho de João e os Sinópticos sobre a data da crucificação permite verificar a que ponto o que está em jogo é essencial. Terá Jesus morrido no primeiro dia da Páscoa judaica, na véspera ou noutra altura?

Imagem: Adriana Varejão, Painel de azulejos como tapete em carne viva, 1999

Corpus Christi – III

Arquivar em: Arte, Teólogos/Teologia — casoual @ 10:52 pm

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O termo grego «Ioudaioi», traduzido uniformemente por «os judeus», não encobrirá várias significações? Traído por um dos seus, como afirmam os quatro evangelhos, Jesus é morto em Jerusalém, na Judeia, em território da tribo de Judá. O paralelismo entre Judá, o traidor, e Judas Iscariotes, será pura coincidência ou uma escolha deliberada?

Imagem: Redon, Cristo

Corpus Christi – II

Arquivar em: Teólogos/Teologia — casoual @ 9:52 pm

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O episódio da libertação de Barrabás é sucinto nos 4 evangelistas. Os historiadores da Antiguidade ignoraram-no. E se Jesus Barrabás e Jesus de Nazaré tivessem sido uma única personagem? Libertado, aquele desaparece dos relatos. Condenado, este tem o motivo da punição inscrito na cruz: «Rei dos Judeus». Terá Jesus podido reivindicar o título de «Rei dos Judeus»?

Imagem: fotograma do filme «A Religiosa», de Rivette, proibido em França em 1966

Corpus Christi – I

Arquivar em: Arte, Teólogos/Teologia — casoual @ 9:51 pm

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No início do Evangelho de João, é perguntado a João Baptista: «E tu quem és?» A resposta, estranhamente forçada, é: «Eu não sou o Messias.»
O chamado Evangelho da Infância, ou seja, a narrativa do nascimento e infância de Jesus que encontramos em Mateus e Lucas será a da infância de João, reescrita, transposta, adaptada à narrativa evangélica?

Imagem: Ernst-Virgins panking Christ

Da Paixão – V

Arquivar em: Arte — casoual @ 1:39 am

(acompanhamento musical c/Olivier Messiaen, Les Corps Glorieux)
Ilustração pascal, a quinta

Slide-show: A Última Ceia – II


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Da Paixão – IV

Arquivar em: Arte, Comunicação Social, Instituições — casoual @ 1:12 am

(acompanhamento c/vídeo aqui)
Ilustração pascal, a quarta

Slide-show: A Última Ceia – I


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